Quilombola

Moradores ajudam a montar a base para a placa do ponto de inclusão digital em Abuí.

Territórios Sustentáveis levam conectividade e novas oportunidades para comunidades do oeste do Pará

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No fim de março, populações quilombolas da região oeste do Pará puderam acompanhar o início do processo de instalação de antenas para recepção de sinal de internet via satélite em suas comunidades.

O objetivo principal dessa ação é conectar as associações de moradores destas comunidades tradicionais para que possam se articular na busca pelos direitos dos quilombolas que vivem às margens do rio Trombetas e do rio Cuminã.

Nesta primeira etapa, serão instaladas 8 antenas com roteador wifi e também serão doados notebooks para as comunidades de Boa Vista, Cachoeira Porteira, Abuí, Curuçá-Mirim, Jarauacá, Nova Jerusalém, Água Fria e Jauari. Pelo prazo de dois anos, o Territórios Sustentáveis está comprometido com a manutenção destes equipamentos, fazendo a transição para as próprias associações. Estes pontos de inclusão digital abrirão outras portas de desenvolvimento para as comunidades.

Durante a instalação das primeiras antenas, diversas crianças comentaram que agora poderão fazer suas pesquisas para a escola com mais facilidade, já que muitas vezes os livros da escola não são suficientes para que os alunos produzam seus trabalhos de maneira adequada. Além disso, as professoras das escolas públicas das comunidades tradicionais têm que pegar um barco todo fim de mês para conseguir entregar o relatório dos alunos, pessoalmente ou acessando a internet de algum distrito próximo. Nesse processo, elas só são remuneradas após a entrega dos relatórios, tendo que arcar com todos os custos deste deslocamento. Com a instalação de pontos de internet nas comunidades, elas poderão fazer este processo todo online, evitando deslocamentos e custos desnecessários.

Em Cachoeira Porteira, a comunidade havia preparado as bases para a colocação da antena dias antes da chegada da equipe do Territórios Sustentáveis. E durante a instalação, muitos moradores do entorno colocaram a mão na massa para ajudar o processo. Um grupo inclusive comentou sobre se juntarem para a compra de um roteador potente, que consiga alimentar um raio ainda maior de moradores da região. “Eu tenho os sites de pesquisa de Ciências todos anotados no meu caderno, mas nunca tinha acessado” comemorou um garoto morador de Cachoeira Porteira.

Impacto no território

Diandra e Poliana conversam sentadas em um banco posicionado estrategicamente na sombra, dentro do raio de cobertura do novo ponto de Internet da comunidade do Boa Vista. Elas contam que hoje, para fazerem uma pesquisa para um trabalho da escola ou mesmo para redigirem documentos oficiais da associação gastam um bom dinheiro com tarefas simples. “Precisamos ir até Trombetas [o distrito mais próximo] para acessar uma lan house. O transporte até lá sai mais ou menos 15 reais cada trecho, mais R$2,5 a hora na lan house e 1 real por impressão. Assim, para a produção de um documento simples de 10 páginas, temos que pagar quase 40 reais”, comenta Diandra. “Com a associação conectada, o deslocamento desnecessário será extinto e haverá maior agilidade na comunicação entre as associações e seus parceiros, fazendo fluir as demandas das comunidades quilombolas”, complementa Vasco van Roosmalen, Diretor Executivo da Ecam.

O impacto real nas comunidades só será possível de ser medido dentro de alguns meses, com a Internet já em funcionamento e as associações e a comunidade usufruindo e aprendendo com os diferentes usos.