Gestão Ambiental

Programa Territórios Sustentáveis analisa atrativos e o potencial do turismo consciente no município de Oriximiná

Entre os dias 8 e 11 de maio, a turismóloga do Programa Territórios Sustentáveis, Ana Gabriela Fontoura percorreu junto de representantes das Secretárias de Cultura, Desporto, Turismo e Lazer e Meio Ambiente, diferentes atrativos turísticos de Oriximiná. Fontoura é especialista em turismo de base comunitária e foi contratada para mapear as atividades que já ocorrem no município, entendendo os arranjos existentes entre turistas, as comunidades e o meio ambiente para garantir que o turismo contribua de fato para o desenvolvimento do município de forma sustentável.

A programação da semana foi intensa. Saindo de lancha no dia 8 pela manhã, o grupo seguiu da sede de Oriximiná pelo rio Trombetas por aproximadamente 4 horas até a comunidade de Cachoeira Porteira, aonde foi realizada no fim da tarde uma reunião com os principais atores do turismo na região. No encontro, estiveram presentes representantes das três principais pousadas da região, além de donos de pequenos restaurantes e um grupo expressivo de cozinheiras e guias turísticos, conhecidos na região como “piloteiros”. Após as apresentações dos presentes, a turismóloga propôs uma dinâmica participativa de resgate da história do turismo na região, fazendo uma linha do tempo desde o primeiro marco que eles pudessem se recordar.

A conversa se estendeu até a noite, com moradores da comunidade compartilhando algumas histórias dos últimos anos de turismo – principalmente de pesca esportiva. “Antes do turismo, não conhecíamos nosso rio. Usávamos ele para chegar até os castanhais. Com a vinda do turismo criou-se um novo olhar para nossas águas, aprendemos realmente a pilotar e valorizar nossos rios”, comentou o Professor Claucivaldo, sócio de uma das pousadas e ex-presidente da Amocreq-CPT (Associação de Moradores das Comunidades Remanescentes de Quilombos de Cachoeira Porteira).

No dia seguinte bem cedo, seguimos viagem para conhecer as três pousadas em funcionamento e a estrutura disponível para o turismo. De caminhão, percorremos 31 quilômetros pela estrada de chão para chegar até a entrada do igarapé da arraia, que os levaria de volta até o rio Trombetas.  Em lanchas de alumínio percorremos as curvas e corredeiras do rio Trombetas, por meia hora, até chegar nas pousadas.

“Fiquei surpresa com a estrutura que encontramos. O potencial realmente é grande, inclusive para explorar outros temas além da pesca, como Observação de Pássaros, Ecoturismo e Turismo de Base Comunitária, por exemplo” comenta Fontoura. “Ao mesmo tempo, viemos para entender como podemos contribuir para que o arranjo seja mais benéfico para toda a comunidade e desenvolver um plano municipal de turismo que inclua estas oportunidades”, complementa.

Os operadores locais contam com parceiros externos que ajudam a promover o turismo na região, mas alguns elementos ainda precisam ser trabalhados para que esse intercâmbio seja feito da maneira mais interessante para todos e também para o meio ambiente, preservando as características deste ponto estratégico da Calha Norte, no oeste do Pará.

No retorno à Oriximiná, o Programa Territórios Sustentáveis organizou um encontro para discutir com operadores locais os primeiros passos para a construção conjunta de um plano de desenvolvimento do turismo para o município. Estiveram presentes representantes de pousadas e restaurantes, além de integrantes das Secretarias de Cultura, Desporto, Turismo e Lazer e Meio Ambiente. “Esta reunião foi um primeiro passo para criação de um diálogo mais aproximado entre os operadores locais e, assim qualificar a construção do plano de forma mais participativa e completa”, afirmou Eli Franco Vale, coordenador de campo do Programa Territórios Sustentáveis.

A história do turismo da pesca esportiva em Cachoeira Porteira começa em 2012. Em setembro daquele ano, o governador do Pará, Simão Jatene, fez uma viagem até Cachoeira Porteira para pescar no rio Trombetas. Chegando lá, ele foi acompanhado por lideranças quilombolas para dentro do rio de forma mais ou menos improvisada em estruturas dos próprios comunitários. Com duas atitudes simples do  governador, a região iniciou uma importante transformação. Após pescar um Tucunaré por entre as pedras de uma das cachoeiras, o Sr. Jatene pediu ao piloteiro que tirasse uma foto dele com o peixe, antes de devolvê-lo ao rio. Em seguida, agradeceu dando-lhe uma gorjeta. Foi a primeira experiência da comunidade com o conceito do Pesque e Solte, na qual o pescador esportivo não fica com o peixe que pesca, reduzindo os danos ao meio ambiente.

Foi a partir dessa experiência – e da mídia que a visita do governador gerou para a região – que inicialmente o turismo de pesca começou a se desenvolver em Cachoeira Porteira. Desde então, já são três pousadas em funcionamento recebendo turistas do Brasil e do mundo (até o final de 2017, pelo menos mais três pousadas serão inauguradas). Grupos de até doze pescadores passam em média uma semana pescando na região, orientados pelos moradores da comunidade, que se alternam em equipes de piloteiros, cozinheiras e motoristas de caminhão para atender os grupos.

No início, com equipamento inadequado, os operadores locais passaram por situações complicadas junto aos primeiros turistas que vieram visitá-los. Mas o investimento veio com o tempo e aos poucos a estrutura foi sendo adequada para atender pessoas do mundo todo. O desafio atual é, não só adequar as estruturas físicas e legais desse turismo, como também compreender quais os impactos desta pesca esportiva para o meio ambiente e principalmente para o desenvolvimento da comunidade de Cachoeira Porteira como um todo. Cachoeira Porteira fica localizada em um ponto estratégico, no encontro entre os rios Trombetas, Cachorro e Mapuera. Este é o ponto de apoio para diversas comunidades indígenas que vivem às margens desses rios, com forte relações também com Suriname e a Guiana Inglesa. Assim, o uso e ocupação dessa região deve respeitar as diferentes comunidades que vivem no entorno, bem como a floresta e os rios amazônicos.